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Pérolas... falsas?

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Bom, como o primeiro intuito deste blog foi colocar aqui as pérolas que, como professor, a gente escuta, vou postar algumas delas. Claro que, quem tiver outras, mande-as para mim, que faço questão de colocar por aqui. Aliás, rir é sempre o melhor remédio (às vezes, a gente tem é vontade de chorar mesmo, rs). Olha o que eu escuto em uma aula: fazíamos um projeto em aula, para podermos montar um sarau. Mal falei a palavra, um aluno já manda essa pérola: ah, sarau é quando a gente pendura o textinho na cordinha, igual roupa? (acho que ele quis dizer varal, sei lá, mas eu já imaginei bastante gente pendurada pelas orelhas na "cordinha"). Outro me traz uma pesquisa, que era tarefa, porém como ele não a havia feito, pegou um revita emprestada, abriu numa página feito uni-duni-tê e disse: essa é minha pesquisa. Tudo bem. Perguntei sobre o que era. Ele disse que era sobre a lei seca. Perguntei qual era o estudo científico desta reportagem (era o tema da tarefa) e aí, nos 10 segundos ...

La artesanía del callar

No decirlo todo. Insinuar. Sugerir. Callar. Mostrar a medias. Todo se vale de este delicado equilibrio entre lo que dice y lo que calla. Entre lo que muestra y lo que oculta. Ya me dijo uno que soy dueño de lo que callo y esclavo de lo que digo. Pero, ¿no es para el hablar que nos la dieron la libertad de expresión? Día tras día somos aturdidos por avalanchas de palabras, de pensamientos, de opiniones, consejos y deliberaciones. El hablar vacío, el decir inepto, que, así como el viento, se lo escucha, pero pronto se nos va y prontísimo nos lo olvidamos. Y nos molesta el hecho de que, por tanto decir, nos escapa el callar. Por entonces, se nos dan a creer en esta bendecida libertad. A lo mejor, conseguimos una mirada lejana, pero tan distraída que más nos turba que acude. Y así nos vamos siguiendo, “curtidos de soledad”, en una ola gigante de dichos, pero en un abismo profundo de inacciones. Hay que reflexionar sobre cómo se construye esta tensión entre lo dicho y lo callado, lo rascado...

Das vantagens de ser bobo, de Clarice Lispector

O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar no mundo.O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: “Estou fazendo. Estou pensando”. Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia. O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo parece nunca ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e com...

A valsa, de Casimiro de Abreu

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Tu ontem na dança que cansa voavas c’o as faces em rosas formosas de vivo, lascivo carmim. Na valsa tão falsa, corrias, fugias, ardente, contente, tranqüila, serena, sem pena de mim! Quem dera que sintas ardores de amores que, louco, senti! Quem dera que sintas!... - Não negues, não mintas... - Eu vi... Valsavas... - Teus belos cabelos, já soltos, revoltosos, saltavam, voavam, brincavam no colo que é meu. E os olhos escuros tão puros, os olhos perjuros volvias, tremias, sorrias... Que encanto viveu! Meu Deus! Eras bela donzela valsando, sorrindo, fugindo qual silfo risonho que em sonho nos vem. E esse sorriso tão liso que tinhas nos lábios de rosa formosa, tu davas, mandavas... - Meu bem!... Calado, sorrindo, mesquinho em zelos ardendo, eu vi-te correndo tão mansa na valsa veloz! Sonhando, vi tudo, mas mudo, não tive, nas galas das salas, nem cantos, nem prantos, nem voz. Na valsa cansaste; ficaste prostrada. Turbada, pensavas, cismavas... E estavas tão cálida, então. Qual pálida rosa ...

QUEDA PROHIBIDO

Queda prohibido llorar sin aprender, levantarte un día sin saber que hacer, tener miedo a tus recuerdos. Queda prohibido no sonreír a los problemas, no luchar por lo que quieres, abandonarlo todo por miedo, no convertir en realidad tus sueños. Queda prohibido no demostrar tu amor, hacer que alguien pague tus dudas y mal humor. Queda prohibido dejar a tus amigos, no intentar comprender lo que vivieron juntos, llamarles solo cuando los necesitas. Queda prohibido no ser tú ante la gente, fingir ante las personas que no te importan, hacerte el gracioso con tal de que te recuerden, olvidar a toda la gente que te quiere. Queda prohibido no hacer las cosas por ti mismo, no creer en Dios y hacer tu destino, tener miedo a la vida y a sus compromisos, no vivir cada día como si fuera un último suspiro. Queda prohibido echar a alguien de menos sin alegrarte, olvidar sus ojos, su risa, todo porque sus caminos han dejado de abrazarse, olvidar su pasado y pagarlo con su presente. Queda prohibido no i...

Afinal, mamãe, estou ligeiramente grávido!!!

É. Por mais que isso possa soar estranho, ou bizarro, é verdade. Estou ligeiramente grávido. Pra ficar ainda melhor esclarecido: estamos ligeiramente grávidos. Eu e a Aline. É, sim, obrigado. E durante muito tempo eu achei que seria a notícia mais aterradora, assustadora e desesperadora (todos os adjetivos com -ora) que eu pudesse receber. Mas nem doeu. Foi simples. Singelo. Doce. Ao som de "Livin' on a prayer", num calor da preula (huahua, gíria antiga pra música antiga), abrindo o HCG ainda dentro do hospital e ficamos hipnotizados com o POSITIVO em negrito bem no centro do papel. Claro que se não houvessem umas lágrimas, não seríamos eu e a Aline, né? Choramos até em abertura de hipermercado... E a ansiedade? Essa foi de matar. E pensei que passaria a ansiedade assim que soubesse o resultado. Me enganei. Assim que li o POSITIVO, chegou outra: qual o sexo do bebê? Assim, meus caros, continuo grávido, provavelmente por mais umas 38 semanas. E quando vou poder saber se t...

DIREITO AO FODA-SE, de Millôr Fernandes

O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do "foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. "Não quer sair comigo? Não? Então foda-se!" "Vai querer decidir essa merda sozinho (a) mesmo? Então foda-se!" O direito ao "foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos ecriativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar quevingará plenamente um dia. "Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase um...